sábado, 23 de maio de 2009

Estou numa manhã pinga-pinga de sábado. Acordei tarde e isso não é bom. Claro... Estou pobre de tempo. É universidade, é Goya, é Savoir, é Canízio, é Inglês, é teatro, é Beliza, é escola pública. Eu adoro ocupar cada lacuninha de minuto que me resta. Mas confesso que me cansa bastante. Sexta passada eu faltei aula justamente porque fiquei fazendo minhas obrigações acadêmicas até as 10:00 da noite (detalhe que fora de casa). Tive um dia cheio nessa sexta, mesmo faltando. Próxima sexta (29-05) é a estréia de 1808 – a invenção do Brasil e não ensaiamos muito. Eu tinha separado o sábado pra colocar todos os meus estudos, pesquisas e fichamentos em dia. Só que devido a insegurança de todo o elenco da peça, teremos ensaio hoje novamente. E está chovendo. E Vitória vai ter apresentação da orquestra hoje. E está chovendo. E eu vou de ônibus. E eu não vou ver minha irmã tocar oboé pela primeira vez num teatro. Droga.

sábado, 9 de maio de 2009

08 de maio de 2009

Eu estou um caco hoje. Meu nariz entupido não consegue sentir nem cheiro ruim, muito menos me auxilia na minha respiração. Meus olhos estão pesados. Tem catarro na minha cara inteira. Minha voz... Er... Minha voz não é mais a mesma. Está meio que muito nasal. Pela manhã eu não consegui assistir aula (já tem sido difícil normalmente, imagine só com a cabeça latejando!) e vim logo pra casa. Pensei até em cochilar, mas logo o telefone tocou e a voz de um homem saiu do aparelho:
_ Por favor, Edja está? Aqui é da “Geração Saúde”.
Pelo que me lembro da minha boca só saíram alguns grunhidos fanhos. Eu até estranhei o “Edja”, já que quando liguei para a produtora me cadastrei como “Camila”.
(nasalmente) _ Oin, bode falã! Aqui ê Edja.
_ Olhe, seu teste está marcado para amanhã às duas horas, ok?
(nasalmente) _ Ahamm, onquei. Na frente da (grunhido) Europa, nê?
_ Isso mesmo! É importante que você chegue antes das 14. Você vai receber um pequeno texto pra decorar, certo? Então... Bom dia e até amanhã. Ah, não esqueça de avisar a sua amiga Bruna que é bom ela chegar mais cedo também.
(nasalmente) _Tá bommm. Bom dgian.
Desliguei e fiquei uns minutos processando tudo na minha cabeça dolorida. Foi então o cara da agência que me ligou pra confirmar o meu primeiro teste para uma mini-série! Uhul. E minha amiga Bruna Belmont também foi escalada para os testes. Eba! Finalmente... Eu pensei que eles não iam ligar mais. Vai ser amanhã.
Só que a minha voz fanha desgraçou o meu dia. Imagine só: eu sozinha com o câmera e o diretor, numa sala fechada. Eu, com os olhos inchados, tossindo pra morrer. Eu morrendo de vergonha por um espirro em hora errada com catarro em lugar indevido. Me desespero só em imaginar algo assim. Mas isso não está muito distante da realidade.
É por isso que eu fiz questão de comprar um balaio de comprimidos e mel e limão e alho e tudo que possa me fazer melhorar instantaneamente. Amanhã eu tenho que estar ao menos apresentável, oras.
Queria ao ir pra universidade amanhã. Pra me arrumar melhor e tentar melhorar. Mas para minha infelicidade eu tenho um maldito seminário de lingüística. E eu estudei? AH, QUE PERGUNTA IDIOTA!! São oito horas da noite e eu ainda sequer passei os olhos no texto base.
VOZ O ALÉM: Camiiiiila, vai estudaaaaaaar, senão você amanhã vai se dar maaaaal.
Voz do além brega!!! E clichê! To indo, to indo...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Memórias de leitura

Quando chegava o fim da tarde, lá pela minha terceira ou quarta primavera, a minha mãe me carregava pro quarto, me botava na cama e abria um livro grande de capa dura. Eu, de bruços na cama, escutava a voz da minha mãezinha cantando as histórias da Branca de Neve e da Chapeuzinho Vermelho. Mas eu gostava mais da primeira opção. Mamãe fazia uma voz estranhíssima quando o espelho mágico entrava em cena. Engraçado que canto até hoje as musiquinhas.
A minha mãe me acostumou mal. Qualquer história só teria graça se ela cantasse pra mim. Ler... Só ler... E ainda mais sozinha... Era no mínimo muito chato. Pense que dava preguiça quando eu via todas aquelas letras que enchiam todas aquelas muitas páginas. Digo com total firmeza que ver as crueldades do Pica-pau na TV era muito mais interessante pra mim. E minha mãe também adorava essa idéia de eu estar hipnotizada com todas aquelas cores e sons esquisitos, e assim mamãe não tinha trabalho.
Fui crescendo (no sentido “ficando mais velha” porque Deus não me abençoou com hormônio de crescimento) e fui forçada a ler os malditos paradidáticos da escola. Malditos sim. Eu perdi muitos episódios repetidos de Chaves por conta deles. Tanto sacrifício só pra saber o nome do filho da vizinha do irmão mais velho da personagem principal. Um livro que me marcou profundamente foi “Batalha de Mamulengos”. Creio que se eu tivesse lido ontem eu teria gostado bastante. Quer dizer, não sei. A minha amedrontadora professora da 4º série, Tia Zélia, mandou que nós formássemos grupos de quatro pessoas para fazer um resumo deste livro (em forma de livro). Confuso? Deveras. E eu e meus colegas não sabíamos nem por onde começar. A gente não sabia como fazer um resumo. “É só extrair o mais importante”. Mas olha só: um livro com mais de cem páginas tinha muitas partes importantes. Por exemplo: a cor da primeira roupa do mamulengo mais velho podia estar numa questão de prova. Dividimos o livro em quatro partes. Cada componente do grupo ficava responsável por resumir a sua parte fosse lá o que isso significava. No fim juntaríamos tudo e montaríamos o livro. A minha prima mais velha disse que era só mudar algumas palavras do texto original e copiar o resto. Eu passei um fim de semana fazendo isso. E até hoje eu não sei resumir bem. Dá pra perceber, né?
Depois deste episódio eu fiquei um bom tempo sem querer saber de livro. Minha mãe me dava alguns de Pedro Bandeira, mas eu não passava do terceiro capítulo. Até que meu irmão ganhou de presente de Natal um livro meio grossinho com umas letras verde-esmeralda na capa: “Harry Potter e a pedra filosofal”. Eu tomei posse desse livro. E o comi rapidamente para poder partir para “Harry Potter e a câmara secreta”. Logo em seguida conheci o meu volume favorito da série: "Harry Potter e o prisioneiro de Askaban”. Eu gostava de ler as coisas macabras e ruins que aconteciam com o protagonista. Até que comecei a ter raiva do mocinho. Por conta dele as minhas personagens prediletas morreram: Cedrico morreu em “ O cálice de Fogo”, Sirius Black morreu em “ A ordem da Fênix” e Dumbledore morreu em “O enigma do príncipe”. Depois de todo esse tempo de luto eu queria que o desgraçado do Harry Potter morresse também. Quando eu soube que J. K. Rowlling não iria pôr um fim merecido na sua personagem principal eu desisti de ler o último livro, cujo título eu nem sei.
Nos intervalos de um H.P. para outro eu me voltei aos livros de Pedro Bandeira que minha mãe me dera, aos livros do vestibular (O guarani, São Bernardo, O auto da compadecida, etc.). Li também muito manga, livros fúteis de Meg Cabot, revistas diversas, tudo o que passava eu lia. Até fiz parte de uma competição “quem lê mais” na escola. Conheci “Drácula" de Bram Stoker, "Pollyanna" e "Pollyanna moça" de Eleanor H. Porter, “As Crônicas de Nárnia” de C. S. Lewis (que eu li para minha irmã mais nova), e o fabuloso “O pequeno príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry.
No meu terceiro ano do ensino médio eu comecei a querer ir mais a fundo nos estudos de literatura. Quis complementar um futuro curso de jornalismo com o curso de Letras. Quando eu entrei na universidade me deparei com um universo tão amplo que eu não sabia o que “saborear”. Belisquei “O rapto de Helena” de Colutos, mais um pouco da “Eneida”, um bocadinho da Ilíada. Arranjei espaço pra “A metamorfose” de Kafka, que não me causou tanto efeito como eu imaginava. Também teve “Hamlet” que estava meio difícil de engolir, mas no fim foi muito satisfatório. Porém o grande banquete foi “Dom Quixote”. Enlouqueci com o livro assim como Quixote enlouqueceu com os romances de cavalaria. Hoje é meu livro de cabeceira. Meu prato preferido. De sobremesa eu tive “Budapeste” de Chico Buarque. Por mais que tenha gente que diga que ele “não rima” eu discordo, pois a leitura foi docemente gostosa. Extra-classe eu me aventurei pela literatura sangrento-medieval de Bernard Cornwell. Um historiador detalhista que conta com muitos crânios abertos as histórias dos anglo-saxões, da guerra dos cem anos, do rei Arthur, etc. Um tempo desse me emocionei com o “Caçador de pipas”. Atualmente só os livros acadêmicos me ocupam. Todavia estou tentando fazer sobrar um pouco de energia pra ler uns livrinhos aí.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Recado pro menino da boca miúda.

- Ei, o moço da boca miúda esteve por aqui.
- Hum...
- E disse qu quer falar contigo.
- Eu não posso. Mas diga a ele que eu adoraria... Ai, eu não posso.
- Mas e se o moço insistir?
- Eu quero. Mas não posso.
- Ah. Ele disse que nã pára de pensar em você.
- Você sabe que eu também não páro de pensar nele.
- E então?
- Não posso.
- Deixe de teimosia.
- Não me lembra mais...
- Ouxe, lembro sim. Você gosta de bocas miúdas.
- Já me deram muito trabalho.
- Ora essa, cabrita! Uma vez não mata ninguém.
- Só se ele trouxer melancia.
Amor, então também acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
Que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

Leminski

sábado, 6 de setembro de 2008

Nalgum Lugar
(E.E. Cummings; tradução de Augusto de Campos)

nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas


Spik (sic) Tupinik
(Glauco Mattoso)

Rebel without a cause, vômito do mito
da nova nova nova nova geração,
cuspo no prato e janto junto com palmito
o baioque (o forrock, o rockixe), o rockão.
Receito a seita de quem samba e roquenrola:
Babo, Bob, pop, pipoca, cornflake;
take a cocktail de coco com cocacola,
de whisky e estricnina make a milkshake.
Tem híbridos morfemas a língua que falo,
meio nega-bacana, chiquita-maluca;
no rolo embananado me embolo, me embalo,
soluço - hic - e desligo - clic - a cuca.

Sou luxo, chulo e chic, caçula e cacique.
I am a tupinik, eu falo em tupinik.
Catar feijão
(João Cabral de Melo Neto)

Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.


----------------------------------------------------

Madrigal tão engraçadinho
(Manuel Bandeira)

Teresa, você é a coisa mais bonita que eu vi até hoje na minha vida,
inclusive o porquinho da índia que me deram quando eu tinha seis anos.

Porquinho-da-índia

(Manuel Bandeira)

Quando eu tinha seis anos,
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
- O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.

Namorados
(Manuel Bandeira)

O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
- Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
- Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listada?
A moça se lembrava:
- A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
- Antônia, você parece uma lagarta listada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
- Antônia, você é engraçada! Você parece louca.



sexta-feira, 29 de agosto de 2008

As descontinuidades da interação face a face

Amiga do Bú, esse é pra você!

Bem... Por muito tempo se estudou a língua falada baseada na língua escrita. Alguns teóricos dizem que a escrita é perfeita e que devemos falar como escrevemos. Isso é uma utopia, minha gente. Vejamos só... Quando a gente escreve, a gente tem tempo pra pensar. Nós lemos o texto escrito, relemos, trelemos, corrigimos e assim vai. Mas vamos dar uma oportunidade para esses tais teóricos se explicarem um pouco, né?

1. Linguagem escrita X Linguagem falada

Escrita

· Planejada;

· Não-fragmentada;

· Completa;

· Elaborada;

· Predominância de frases complexas com subordinação abundante;

· Emprego freqüente de passivas.

Fala

· Não-planejada;

· Fragmentada;

· Incompleta;

· Pouco elaborada;

· Predominância de frases curtas, simples ou coordenadas;

· Pouco uso das passivas.

Ta... Já disseram muita coisa... Você concorda com isso? Você acha que a escrita pode ser comparada com a fala? Você acha que a fala é desorganizada? Que a escrita sempre vai ser linda e impecável? Se a resposta é sim, o que você está fazendo no curso de Letras? Se a resposta for não, eu gosto de você! Mas quem disse sim e quem disse não... Qualquer um pode ler até o fim.

Essas duas modalidades da linguagem (escrita e fala) podem se misturar, às vezes. Quando estamos num tribunal, ou numa palestra científica, ou num casamento (se você for o noivo ou noiva e estiver repetindo aquelas coisas chatas que o padre diz), nós usamos uma linguagem mais formal, mais certinha, pensada, planejada anteriormente, com mais tempo para organizar a idéia. Falamos como se tivéssemos ensaiado aquilo. E quando estamos no msn? Como escrevemos. Existem aquelas pessoas que escrevem tudo direitinho. Agora, quando estas fazem isso lentamente... Ah! A gente perde a paciência. Porque no Messenger nós temos que ser rápidos, isso acontece por causa da mensagem instantânea. Feito na hora, como uma conversa, como a fala.

Assim nós vemos que, simplesmente, nós não podemos dizer que uma modalidade é mais importante que a outra. Mas os gramáticos teimam em dizer que a língua escrita é superior à fala, pois possui uma organização, possui regras, possui uma gramática Felizmente alguns lingüistas têm defendido que a língua falada possui sim uma organização. O nosso grupo de pesquisa chama essa organização de Gramática Interacional, mas isso não é oficial... Autores importantes como Marcuschi, Koch e , se eu não me engano, Rodolfo Ilari, falam de uma gramática da fala. L. A. Marcuschi fala que apesar do aparente caos lingüístico, nós conseguimos adquirir conhecimento através da interação.

É justamente desse ‘caos lingüístico’ que vamos falar nesse texto. Mas antes de chegar nas famosas descontinuidades da interação face a face, vamos ver algumas características que nos deixarão contextualizados.

2.Características próprias da interação face a face

A conversação é um jogo. Um jogo coletivo onde cada passe é importante para seu desenvolvimento. Eis aí alguns deles:

  • A fala é localmente planejada, ou seja, ela é planejada ou replanejada a cada novo ‘lance do jogo’;
  • O texto falado é posto ‘a nu’ no processo de produção. Vai sendo construída em sua própria gênese;
  • Há descontinuidades freqüentes que são justificadas pelos fatores de ordem cognitivo-interativa;
  • A fala vai apresentar uma sintaxe própria, uma gramática interacional.

Enquanto que no texto escrito nós fazemos um rascunho anterior, depois uma revisão, depois uma correção para possuir o produto final; no texto falado nós temos o rascunho como produto final. Deu pra entender? Além do mais a interação se trata de uma produção conjunta. O locutor e o interlocutor co-produzem, co-negociam, co-argumentam.

Como é a interação (imediata) que importa, ocorrem pressões de ordem pragmática que acabam por sobrepor-se às exigências da sintaxe. Isso significa que o locutor, frequentemente, vê-se obrigado a “sacrificar” a sintaxe em favor das necessidades da interação, fato que se traduz pela presença, no texto falado, de falsos começos, anacolutos, orações truncadas, etc, bem como a recorrer com freqüência a inserções de vários tipos, as repetições e as paráfrases, com o intuito de garantir a compreensão de seus enunciados pelos parceiros. (KOCH, 2006)

Mas essas “descontinuidades” são, na verdade, “estratégias conversacionais” . Assemelham-se às máximas de Grice.

  • Quando percebemos que o outro já entendeu o que queríamos comunicar, a adição da fala se torna desnecessária;
  • Já quando percebemos que o ouvinte não entendeu, nós repetimos, mudamos o planejamento, inserimos uma explicação;
  • E quando percebemos que erramos em algum termo, nós nos interrompemos e nos corrigimos. Mas também pode ocorrer o fato de o ouvinte nos corrigir.

Essas características citadas acima são as descontinuidades da língua falada (é bom reforçar, amigos) que apontam a “aparente” desestruturação da língua falada.

2. As descontinuidades!!! Eba!!

As descontinuidades são divididas em dois grupos: processos de inserção e processos de reconstrução.

2.1. Processo de inserção

As inserções provocam certa pausa, uma suspensão temporária do tópico (assunto) em curso. Desempenham funções interativas como: explicar, ilustrar, fazer ressalvas, introduzir avaliações ou atitudes do locutor, etc.

Além delas serem realizadas pelo locutor (auto-condicionadas), elas podem ser também hetero-condicionadas. Acontece quando o interlocutor faz uma pergunta ou pede uma explicação ao locutor. Este é obrigado a responder, obedecendo ao princípio de relevância condicional.

Mas se essa inserção não tem nada a ver com o tópico em curso, deixando uma quebra no discurso, aí a chamamos de digressão. Alguns autores chamam isso de “afrouxamento” da coerência textual. Agora, quando a digressão vem introduzida por marcações (como: a propósito, por falar nisso, antes que eu me esqueça, desculpe interromper, mas... etc), o locutor revela que tem consciência de estar provocando uma ruptura no desenvolvimento tópico. Algumas vezes esse fenômeno é usado como descanso num assunto de difícil compreensão. E as digressões não só são iniciadas por marcadores como também são encerradas por estes: “voltando ao assunto”, “mas onde é que eu estava?” . Isso demonstra que essa digressão é realmente apenas um parêntese.

A reconstrução consiste na reelaboração da seqüência do discurso. Provoca também uma diminuição do ritmo da conversação com a volta de recursos já usados. Tem como função formular melhor ou reformular um segmento maior ou menor do texto já produzido. Serve para solucionar problemas detectados pelo locutor ou pelo interlocutor. São: correções ou reparos, repetições, parafraseamentos e adjunções.

A reconstrução consiste na reelaboração da seqüência do discurso. Provoca também uma diminuição do ritmo da conversação com a volta de recursos já usados. Tem como função formular melhor ou reformular um segmento maior ou menor do texto já produzido. Serve para solucionar problemas detectados pelo locutor ou pelo interlocutor. São: correções ou reparos, repetições, parafraseamentos e adjunções.



2.2 Processos de reconstrução

2.2.1 Correções

São cortes feitos para consertar o que não pode se apagar. Geralmente se interrompe o quanto antes o discurso para se apresentar a forma que considera a mais adequada.

Podem ser também hetero-condicionadas. O interlocutor mostra estranheza e sugere explicitamente a correção.

2.2.2 Adjunções

Ocorre quando o locutor percebe que deixou de acrescentar uma informação importante que irá facilitar a compreensão do discurso. Ou completa uma informação incompleta. Reaviva na mente do interlocutor algo que já foi dito anteriormente, dá ênfase a algum aspecto relevante para um bom entendimento do tópico.

2.2.3 Repetições e parafraseamentos

Fenômenos extremamente freqüentes no texto falado. Desempenham diversas funções.

Fazem parte dos processos de reconstrução e possuem as mesmas funções das correções e dos reparos. Sanam problemas detectados(pelo próprio locutor ou pelo interlocutor) em segmentos enunciados anteriormente: parafrasea-se o que foi dito, quando se vê que o outro não entendeu a mensagem. Repete-se o enunciado para não haver mal entendidos quando há ruídos externos ou distrações do parceiro.

Em sentido amplo, pode-se dizer que a repetição engloba desde a repetição ‘exata’, até aquela em que ocorrem variações maiores ou menores na forma e portanto, também a paráfrase. Sendo a repetição exata (isto é, a expressão da mesma idéia com as mesmas palavras e a mesma entonação) bastante rara, pode se incluir a maior parte das repetições entre os processos de reconstrução. (KOCH, 2006)







cabou.. agora é com você, amigo!



domingo, 18 de maio de 2008

Eu quero melzinho

Vivi está doente. Vomitou algo com cor de açaí e acabou de ir ao médico.
Eu também estive doente. Mas ninguém faz caso. Minha mãe mesmo falou: 'Ah, Camila. Tu sempre tá doente'. Meu namorado está com conjuntivite. Meu padrasto com uma érnia (ou seria hérnia?) na virilha. E assim a minha virose fica de ladinho. Nem pra trazer um melzinho pra mim...
O que mamãe fala é verdade (mas ela podia trazer melzinho). Eu sempre estou doente, é incrível.
Nesses últimos meses eu já tive até anemia. Fui no hospital tomar soro. Fiquei tonta na universidade. E assim vai. Pra mim, estar saudável é que é uma novidade. Tosse vem sempre. Mas mamãe podia trazer melzinho.
A minha querida e delicada avó sempre me diz que essas 'frescuras' vão acabar assim que eu casar. Se bem que ninguém da minha família me ajuda a casar, né? Já que espantam todos os meus pretendentes (Rodolfo, eu sei que você me ama e vai ficar comigo até..., né?). Todos falam que eu deveria ser mais doce, mais melosa, mais meiga, mais menininha feita de temperos e perfumada com flores. Concluindo... Se eles me dessem melzinho, tudo se resolveria!
E adianta o meu protesto? 'Camila é doida!', 'Camila é exagerada!'. Uhu! Vou ficar aqui tossindo, exercitando minha barriga (tive até cãibra). Desejo melhoras rápidas ao meu namorado para que ele me VEJA logo. Desejo melhoras a minha irmã que deve estar chorando no hospital agora (tadinha, vomitando açaí). Desejo melhoras ao meu padrasto e não, não quero ver a bendita bruzumba que se aloja na sua virilha, tio.
E mãe... Eu serei uma pessoa mais saudável e doce se a senhora me trouxer melzinho!
^^